Corações do polvo: se você já ouviu dizer que ele tem mais de um e achou exagero de internet, a ciência confirma — e a explicação é um prato cheio de curiosidade. O polvo tem três corações, e esse “sistema extra” ajuda o animal a lidar com um corpo totalmente diferente do nosso, com oito braços cheios de músculos, muita demanda de oxigênio e um jeito peculiar de circular o sangue.
Quantos corações tem um polvo, afinal?
O polvo tem três corações. Dois deles são chamados de corações branquiais (ou auxiliares), e o terceiro é o coração sistêmico, que funciona como a “bomba principal” do corpo.
Em termos simples: os dois corações branquiais empurram o sangue para as brânquias, onde ocorre a troca gasosa (entra oxigênio e sai gás carbônico). Depois disso, o coração sistêmico envia esse sangue já oxigenado para o resto do organismo, abastecendo cabeça, manto e braços.
Como funcionam os corações do polvo no dia a dia
O polvo é um molusco cefalópode: não tem esqueleto interno, seu corpo é altamente flexível e seus braços fazem força o tempo todo, com movimentos precisos e, muitas vezes, explosivos. Isso cobra um preço: alto consumo de oxigênio e necessidade de circulação eficiente.
Dois corações para as brânquias, um para o corpo
Os corações branquiais atuam como “turbo” da respiração. Eles garantem pressão suficiente para que o sangue passe pelas brânquias e seja oxigenado com eficiência. Já o coração sistêmico mantém o fluxo para o resto do corpo, distribuindo esse oxigênio para os tecidos.
Um detalhe curioso: nadar pode ser cansativo para o polvo
Há um comportamento que costuma viralizar quando alguém descobre: em muitos polvos, o coração sistêmico reduz o ritmo durante a natação por jato (quando o animal expulsa água para se impulsionar). Isso ajuda a explicar por que o polvo tende a preferir “caminhar” e se apoiar no fundo com os braços em vez de nadar longas distâncias. Não é preguiça: é fisiologia.
Por que os corações do polvo são diferentes dos nossos?
Além de ter três “bombas”, o polvo tem outra diferença importante: o sangue dele não usa hemoglobina como principal molécula de transporte de oxigênio. Em vez disso, muitos cefalópodes usam hemocianina, que contém cobre e pode dar ao sangue um aspecto mais azulado em certas condições.
A hemocianina funciona bem em ambientes marinhos, mas pode ser menos eficiente que a hemoglobina em algumas situações. Ter um sistema circulatório com apoio extra (os dois corações branquiais) ajuda a compensar, mantendo o fornecimento de oxigênio mesmo quando o animal está ativo, caçando ou fugindo.
Em outras palavras: a combinação de sangue com características próprias + corpo extremamente musculoso e flexível + respiração por brânquias levou a uma solução evolutiva diferente da nossa — e muito eficaz para a vida no mar.
O que essa curiosidade revela sobre a inteligência e o comportamento do animal
Quando alguém pergunta “quantos corações tem um polvo?”, a resposta costuma vir acompanhada de outra surpresa: esse animal também é famoso por resolver problemas, explorar ambientes e demonstrar comportamentos complexos. Embora coração não determine inteligência, a fisiologia do polvo mostra como ele é “projetado” para uma vida ativa e adaptável.
Os braços, por exemplo, têm grande autonomia de movimento e muita sensibilidade. Isso significa que o corpo precisa sustentar tanto esforço muscular quanto processamento sensorial constante. Um sistema circulatório que entrega oxigênio de forma robusta ajuda o animal a manter desempenho em tarefas que vão de abrir conchas a se esgueirar por fendas estreitas.
Por que isso importa em 2026: aquários, pesquisa e conservação
Entender os corações do polvo não é apenas uma curiosidade para compartilhar. Em 2026, o tema aparece com frequência em conteúdos de divulgação científica, educação ambiental e também em discussões sobre bem-estar de animais mantidos em cativeiro.
Em aquários e centros de pesquisa, conhecer limitações fisiológicas — como estresse, necessidade de oxigenação e preferência por certos padrões de atividade — ajuda a planejar ambientes mais adequados. Na natureza, compreender como o polvo respira e circula sangue também contribui para avaliar impactos de mudanças ambientais, como variações de temperatura e níveis de oxigênio na água.
Para o público, a “história dos três corações” funciona como porta de entrada para um ponto maior: o oceano é cheio de soluções biológicas inesperadas, e entender essas soluções torna mais fácil valorizar a conservação.
Conclusão: três corações, uma estratégia de sobrevivência
Sim, o polvo tem três corações — dois voltados às brânquias e um responsável por mandar sangue ao corpo. Essa configuração, somada ao tipo de molécula que transporta oxigênio no sangue e ao estilo de vida ativo, explica por que a natureza “apostou” em uma circulação reforçada. Da próxima vez que a pergunta voltar nas redes, você já tem a resposta completa: não é mito, é biologia marinha em estado puro.
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Fonte externa: Smithsonian Ocean: Octopuses and relatives
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