O caso Alfred Burtoo é um daqueles relatos britânicos que atravessaram décadas por um detalhe raro: a descrição, atribuída à testemunha, de ter sido conduzida para dentro de um objeto em forma de disco e liberada após um “exame”. A história se passa na região de Aldershot, em Hampshire, Inglaterra, e ganhou notoriedade por envolver um homem idoso, ex-militar, conhecido por uma rotina discreta e por não buscar exposição pública.
O começo: uma pescaria na madrugada de agosto de 1983
Segundo a narrativa popularizada em reconstituições e entrevistas posteriores, Alfred John Lawrence Burtoo (grafado em algumas fontes como “Burtow”) era um militar aposentado que, na época, levava uma vida simples, ligada ao trabalho rural e à jardinagem. Na noite de 11 para 12 de agosto de 1983, ele decidiu sair para pescar de madrugada, prática que considerava mais produtiva por haver menos movimento e menos luz.
Ele teria saído por volta de 0h15, já no dia 12, levando o equipamento e seu cão, Tiny. No caminho, afirmou ter cruzado com um policial em patrulha e, depois de poucas palavras, seguiu sozinho até um ponto próximo a um canal e uma ponte, onde montou o local, organizou a pesca e se acomodou na margem.
Cerca de 50 minutos depois, ao servir uma xícara de chá da garrafa térmica, ele diz ter notado uma luz no céu. A primeira hipótese foi comum para a área: aeronave, helicóptero ou atividade ligada às instalações militares próximas.
O núcleo do caso Alfred Burtoo: luz descendo e “figuras” na margem
De acordo com o relato atribuído a Burtoo, a luz começou a descer de forma incomum, com um movimento que ele comparou ao de uma folha caindo, em zigue-zague, até se aproximar do solo do outro lado do canal. Foi nesse momento que o cão Tiny, até então calmo, teria ficado agitado, latindo e demonstrando desconforto.
Na sequência, ainda segundo Burtoo, duas figuras pequenas surgiram na escuridão do caminho ao lado da água, aproximando-se em silêncio. Ele as descreveu como humanoides baixos, por volta de 1,20 m, usando um tipo de roupa verde-clara de peça única, com capacetes integrados e viseiras escuras que cobriam o rosto. Ele não percebeu zíperes, botões ou qualquer “costura” aparente: tudo parecia liso e contínuo.
As figuras teriam parado a poucos metros, encarando-o por segundos, até que uma delas fez um gesto simples com o braço, interpretado por ele como um convite. Em vez de correr, ele afirma ter caminhado na direção delas, deixando a xícara e o equipamento para trás. Os três seguiram em fila pelo caminho; num ponto, havia uma cerca. Burtoo relatou que as figuras “atravessaram” a cerca, enquanto ele precisou pular para continuar.
“Dentro do disco”: sala escura, coluna central e uma voz
Após atravessar uma estrada e retornar à trilha do canal, Burtoo afirmou ter visto um grande objeto em formato de disco, com cerca de 10 a 12 metros de largura, superfície metálica lisa, sem janelas ou marcas. Parte dele estaria suspensa por suportes que ele comparou a “esquis”. Havia uma escada levando a uma abertura, e ele diz ter seguido as figuras para o interior.
Por dentro, descreveu um espaço com sensação octogonal, paredes e teto escuros e curvos, sem cantos vivos, como se fosse moldado numa única peça. O teto seria baixo, forçando-o a se curvar, e o piso parecia macio a ponto de abafar passos. A iluminação seria fraca e difusa, sem lâmpadas visíveis, e o ambiente um pouco mais quente. Ele também mencionou um odor desagradável, lembrando decomposição, e em algumas recontagens aparece a associação a “enxofre”.
Burtoo disse ter percebido outras figuras semelhantes no interior e uma estrutura central como uma coluna ou tubo do chão ao teto, com aproximadamente um metro de diâmetro. Em seguida, teria ouvido uma voz “sem origem” clara, falando em inglês com um sotaque estranho. A instrução foi direta: posicionar-se sobre uma luz amarela. Ele obedeceria e ficaria parado por cerca de 10 minutos, com a sensação de estar sendo examinado ou “escaneado”.
Ainda segundo sua versão, a voz perguntou sua idade. Ele respondeu que completaria 78 anos em breve. Então veio a frase que tornou o episódio célebre: ele teria sido dispensado por ser “velho demais” e por ter muitas enfermidades, não servindo ao propósito deles.
Volta ao canal, decolagem e as primeiras consequências
Sem impedimentos, Burtoo relata que saiu pela mesma escada e caminhou de volta ao seu ponto de pesca. Em determinado momento, diz ter olhado para trás e notado uma cúpula no topo do disco girando lentamente. Já de volta, pegou o chá — agora frio — e bebeu, como se tentasse retomar a normalidade.
Pouco depois, ele teria ouvido um som semelhante a um gerador e visto a luz do objeto aumentar, iluminando a margem e a superfície da água com intensidade incomum. O disco então teria subido sem ruído de motor e acelerado rapidamente até desaparecer.
O detalhe mais inesperado do caso Alfred Burtoo é o que vem em seguida: ele afirma que não foi embora. Era por volta de 2h e ele teria continuado pescando. Pela manhã, por volta das 10h, dois policiais montados teriam se aproximado e conversado com ele. Só depois de falarem sobre a pescaria ele comentou o que vira; a reação, segundo Burtoo, foi uma sugestão de que poderia ser algo ligado a reconhecimento ou testes militares.
Ao voltar para casa, ele contou o ocorrido à esposa, Marjorie, e a uma amiga que estava presente. Dois dias depois, afirmou ter retornado ao local e observado a vegetação amassada e desorganizada onde o objeto teria pousado — mas não fotografou nem coletou material.
Lista com 7 indicações
- Canal e ponte na região de Aldershot (Hampshire) O cenário é central no caso, porque Burtoo diz ter caminhado pela margem do canal e visto o objeto pousado do outro lado. A proximidade com instalações militares é um elemento recorrente nas interpretações posteriores.
- O cão Tiny O comportamento do animal aparece como “gatilho” de alerta na narrativa: ele teria passado de calmo a agitado quando a luz desceu. Para investigadores, esse tipo de detalhe costuma ser considerado relevante por fugir do controle da testemunha.
- Duas figuras humanoides de cerca de 1,20 m A descrição de trajes verdes inteiriços e viseiras escuras é uma das marcas do episódio. Burtoo também relatou que elas “atravessaram” uma cerca, ponto frequentemente citado como aspecto extraordinário do relato.
- Objeto em forma de disco (10 a 12 metros) com “suportes” tipo esqui O formato e a ausência de janelas ou marcas foram enfatizados por Burtoo. Os supostos suportes, mantendo parte do disco suspensa, ajudam a diferenciar o caso de avistamentos distantes sem detalhes.
- Interior com sala de sensação octogonal e coluna central No caso Alfred Burtoo, não é só o exterior que importa: ele descreveu um ambiente escuro, contínuo, com piso macio e iluminação difusa. A presença de uma estrutura central, como tubo do chão ao teto, foi apontada como elemento “funcional” do espaço.
- “Luz amarela” para posicionamento e sensação de exame O suposto procedimento — ficar parado sobre uma luz âmbar por cerca de 10 minutos — é o núcleo do “contato”. A história ficou conhecida pela ideia de avaliação física sem instrumentos visíveis.
- Contato com o jornal Aldershot News (outubro de 1983) e menção por Timothy Good Após meses em silêncio, Burtoo teria procurado o jornal local para saber se havia outras testemunhas. O caso foi posteriormente citado por Timothy Good no livro Above Top Secret, ajudando a fixá-lo na ufologia britânica.
O que é documentado, o que é alegado e por que o caso segue controverso
Como ocorre em muitos episódios ufológicos, o que existe de mais sólido no caso Alfred Burtoo é a tradição do testemunho: a história foi recontada em veículos, compilações e livros de ufologia, e o próprio Burtoo teria mantido consistência ao narrar a sequência em entrevistas. A procura por um jornal local em outubro de 1983 e o interesse de pesquisadores são citados como parte do caminho de divulgação, mas o acesso público a documentos primários (como a matéria original do periódico) nem sempre é simples.
Já os elementos centrais — o disco no terreno, as figuras, o exame e a liberação por idade e doenças — permanecem no campo do relato atribuído à testemunha. Também não há, nas reconstituições mais conhecidas, registro de investigação oficial aprofundada que encerre a questão. Até a informação sobre o falecimento de Burtoo aparece com divergências em algumas fontes (mês e ano variando), o que reforça a dificuldade de consolidar detalhes biográficos sem arquivo civil facilmente acessível.
É justamente essa combinação — um enredo detalhado, uma testemunha descrita como discreta e a falta de prova física preservada — que mantém o caso Alfred Burtoo vivo na ufologia: para alguns, um contato genuíno; para outros, um episódio sem verificação independente. O que não mudou, ao longo das décadas, é o ponto central que transformou a pescaria em história: o homem que disse ter entrado em uma nave e ouvido que era “velho demais” para o que quer que estivesse em curso naquela madrugada.
Fontes consultadas: O HOMEM SIMPLES QUE ENTROU EM UMA NAVE. Caso Alfred Burtoo
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